10 de agosto de 2026 · Nome da Software House
Se a IA permite fazer mais, até onde uma empresa deveria ir?
Recentemente li um artigo do Florian Hagenbuch, cofundador da Loft e da Canary na Exame, que trouxe uma provocação que ficou na minha cabeça: a próxima empresa de um trilhão de dólares pode ser uma empresa de software disfarçada de prestadora de serviços.
Ou seja: ela não vai vender o painel de controle. Vai vender o resultado.
E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes acontecendo com a inteligência artificial hoje.
Na prática, ninguém está tão interessado assim na IA. As pessoas querem que as coisas estejam resolvidas.
O próprio Florian dá um exemplo interessante: se uma empresa paga um escritório para revisar contratos, ela quer receber o arquivo revisado na caixa de entrada. Se amanhã uma empresa de IA fizer isso, o comportamento do cliente não mudou. Ele continua querendo exatamente a mesma coisa. Mudou quem — ou o que — está fazendo o trabalho.
E comecei a pensar nisso dentro da minha própria realidade.
Trabalhando com tecnologia e e-commerce, já existem várias coisas que hoje faço muito mais rápido. Formatação de imagens, algumas escritas de código, estudo de documentação, APIs, integrações com meios de pagamento...
Não é que a IA simplesmente faça tudo. Mas ela diminuiu muito o tempo entre "preciso entender como fazer isso" e realmente conseguir executar.
Só que isso cria outra questão.
Se agora conseguimos fazer muito mais, deveríamos fazer muito mais?
Se eu desenvolvo um e-commerce para uma empresa, por exemplo, o cliente realmente quer um e-commerce?
Provavelmente não.
Ele quer vender.
Então será que meu trabalho deveria terminar quando a loja entra no ar? Será que faz sentido começar a abraçar outras áreas, como marketing digital, automações, conteúdo ou análise de dados?
Não tenho certeza.
E talvez essa seja justamente a parte mais interessante dessa transformação.
A IA está aumentando nossa capacidade de execução e diminuindo algumas barreiras entre áreas que antes eram muito mais distantes. Ao mesmo tempo, conseguir fazer alguma coisa não significa necessariamente que você deveria fazê-la.
Para mim, o desafio começa a deixar de ser apenas aprender novas ferramentas.
Passa a ser entender o que eu devo fazer, o que devo delegar, onde preciso de um especialista e, principalmente, qual problema estou realmente resolvendo para o cliente.
Porque, no final das contas, talvez o cliente nunca tenha comprado tecnologia.
Ele sempre comprou o resultado.